" Tudo que eu vi,
ela corria com muita pressa, seus cabelos ruivos se jogavam contra o rosto, como se quisessem fazê-la recuar. E de alguma estranha maneira eu senti isso: que ela devia recuar, mas não fiz nada, ela passou por mim sem ao menos me olhar, enquanto eu tentava entender, os olhos dela pareciam úmidos, ela chorou. E as mãos deviam estar trêmulas, mesmo em meio a correria.
Depois que ela passou por mim, tudo aconteceu em dois segundos e meio. Nada é claro.
Ela estava correndo, e havia uma passagem bem a frente, e tudo o que eu ouvi foi um disparo, e gritos.
Ela caiu, mas eu não sei de onde veio ou porque.
Eu só senti que devia ter parado ela, e ela ainda estaria aqui.


Logo depois do disparo. Me virei, e vi seus cabelos ruivos sobre o piso da rua, e eles se uniam em uma poça tão avermelhada quanto seus fios. Pessoas assustadas, um homem com um celular ajoelhado perto dela. Eu não ouvi nada. Eu não vi quem a levou. Eu só, estive ali, e senti algo forte quanto a ela, como se fosse ela, a pessoa pela qual eu deveria procurar desde meu primeiro dia aqui, mas quando eu a vi, ela passou, ela se foi, nem notou. E alguém, sabe-se lá porque, a levou. Mas eu juro, que vou buscá-la. Onde quer que esteja."


Ele sentia medo, e isso era notável, mas também estava cheio de um ódio nunca visto, nem ao menos sentido, que ele tentava controlar, mas assim só o demonstrava mais. Fechou os olhos pela necessidade de vê-la correr novamente, cerrou os punhos pela perda. Abriu as asas, e subiu até onde mais não se podia ver, em busca dela.

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