Lágrimas, do céu que lhe escorriam pela face

Carol olhava a chuva cair, sentada na janela do quarto, tentando, sem nenhum sucesso, afastá-lo da mente. Mesmo quando ela pensava no verde intenso da grama do jardim, de algum jeito ele voltava a mente. Era extremamente pensar nele, sentir a saudade se revoltando no peito, apertando, impedindo a respiração. Voltando o olhar baixo para o quarto, o celular continuava ali, imóvel, apagado sobre a penteadeira. As lágrimas voltavam, deixavam a vista embaçada mas nada, nada era pior que a dor no peito, o coração que faltava ali, sem explicações.
Para ela, a pior coisa era a falta de notícias, nenhum sinal de vida, nada. Nem notícias ruins, muito menos boas, nenhuma ligação, nenhuma demonstração de afeto, de importância com ela. Isso trazia as lágrimas ao queixo novamente, e seguindo a primeira as outras queimavam na face quente, no rosto corado dela. Carol se jogou na cama, pegou a agenda roxa que estava sobre o criado e procurou uma caneta velha na gaveta. Colocou a data, que ficou manchada por uma lágrima que ali caiu e começou:
' quanto mas eu tento tirá-lo da minha mente, mais ele vem, e vem cada vez mais intenso, como se eu pudesse sentí-lo aqui, ao meu lado, e meu coração no lugar...'
Carol secava os olhos com as mãos, deixando a face toda avermelhada, tentava recuperar o fôlego para continuar, para externar aquilo que doía em seu interior vazio.
' acho que essa, é a dor mais forte de toda minha vida. Toda dor de amor é uma dor forte, e nova, sempre parece pior que a última. Todo romance é diferente do outro, e toda dor também. É difícil encontrar, nos meus restos, nas minhas ruínas molhadas pelas lágrimas, palavras, que passem a diante, que levem consigo um pouco do meu sofrimento. Nenhuma delas parece traduzir o que realmente sinto, umas elevam o sentimento, outras o diminuem, não encontro uma certa. Nada agora é certo, se vou me recuperar, se ele vai voltar, se eu vou aceitar, nada. Tudo é confuso, tudo tão obscuro.' A dificuldade que ela encontrava em se expressar a confundia mais, com tudo aquilo. Ela sabia que com tudo aquilo, uma parte dela estava indo, e tornando-se irrecuperável. E a lembrança daquela parte ficaria para sempre, com a dor do início, se tornaria uma memória, da qual ela podia sentir a umidade dada pelas lágrimas.

Trilha: Miserable at best - Mayday Parade

Um comentário:

  1. hahaha,
    ficou linda a 'historia'!
    :)

    te amo, amr!

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